{"id":5108,"date":"2020-04-11T16:01:41","date_gmt":"2020-04-11T16:01:41","guid":{"rendered":"http:\/\/helenaanjos.com\/?p=5108"},"modified":"2020-08-26T17:30:16","modified_gmt":"2020-08-26T17:30:16","slug":"os-afetos-as-lagrimas-e-o-valor-das-memorias-neste-mundo-novo-um-espaco-para-nos-reinventarmos-mais-fortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/helenaanjos.com\/en_en\/2020\/04\/11\/os-afetos-as-lagrimas-e-o-valor-das-memorias-neste-mundo-novo-um-espaco-para-nos-reinventarmos-mais-fortes\/","title":{"rendered":"Affections, tears and the value of memories in this new world. A space to reinvent ourselves stronger?"},"content":{"rendered":"<p><strong>Affections, tears and the value of memories in this new world. A space to reinvent ourselves stronger?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Neste mundo novo, neste puzzle em que as pe\u00e7as n\u00e3o encaixam porque ficaram confinadas a um espa\u00e7o demasiado pequeno, diferentes realidades s\u00e3o vividas com distintos sentires.<\/p>\n\n\n\n<p>Na realidade das crian\u00e7as, o espa\u00e7o escola \u00e9 substitu\u00eddo pelo espa\u00e7o casa, onde os pais reaprendem, porque s\u00e3o contentores de afetos, a transformar o corredor num campo de futebol, a mesa da cozinha num sal\u00e3o de cabeleireiro, onde os abra\u00e7os passaram a acontecer sem pressas e saboreados, onde a minha neta de 4 anos dizia hoje: \u201cm\u00e3e, sabes uma coisa? Eu n\u00e3o quero que os pol\u00edcias tirem o COVID19 da escola porque quando isso acontecer eu j\u00e1 n\u00e3o vou poder estar em casa com voc\u00eas, e eu gosto\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E tamb\u00e9m existem os pais que n\u00e3o honram a inf\u00e2ncia dos filhos, porque n\u00e3o se honram como adultos. Em casa impera o cansa\u00e7o, o sufoco de ouvir as crian\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Vejo-me de costas. As l\u00e1grimas invadem-me o rosto. Tenho sete anos e o meu pai, o marinheiro, est\u00e1 longe, no meio do Atl\u00e2ntico. Tenho saudades. Dizem-me que est\u00e1 a ajudar os soldados feridos. Habita em mim a mem\u00f3ria do seu \u00faltimo abra\u00e7o na Doca de Alc\u00e2ntara.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E fora do espa\u00e7o casa existem centenas e centenas de seres humanos a adoecerem, a sofrerem muito e a morrerem s\u00f3s, sem um \u00faltimo adeus dos familiares.<\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 o mundo novo. Um mundo onde os profissionais de sa\u00fade assumem o compromisso di\u00e1rio de salvar vidas.<\/p>\n\n\n\n<p>E choram de dor porque perdem vidas, vidas que partem sem que lhes possam segurar a m\u00e3o. E sofrem porque n\u00e3o est\u00e3o no espa\u00e7o casa a abra\u00e7ar os que amam.<\/p>\n\n\n\n<p>E nesta viagem existem casais que se descobrem e ousam viver, com criatividade, cada dia das suas vidas. Respiram o mesmo ar, s\u00e3o a melhor vers\u00e3o de si pr\u00f3prios. Um bife com batatas cozidas \u00e9 um prato temperado com a cor dos afetos.<\/p>\n\n\n\n<p>E nesta viagem existem casais que se assustam quando se encontram confinados no espa\u00e7o casa. N\u00e3o se conhecem, n\u00e3o gostam do cheiro dos corpos, inventam pequenas imperfei\u00e7\u00f5es, agora utilizadas como armas de arremesso. Viviam o trabalho e a casa n\u00e3o era um espa\u00e7o acolhedor, apenas onde se deitavam a correr.<\/p>\n\n\n\n<p>E esta realidade do \u201cj\u00e1 n\u00e3o sei quem \u00e9s\u201d acontece enquanto, no mundo novo, os profissionais de sa\u00fade, com recursos escassos, se equipam meticulosamente para ajudar seres humanos. E vivem o drama de terem que escolher quem v\u00e3o salvar. E este \u00e9 um dilema que vai deixar feridas para o resto da vida.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>E um dia o meu pai voltou. Os sapatos azuis j\u00e1 n\u00e3o me servem. Estou crescida, estou na 3\u00aa classe. O meu pai trazia um menino embrulhado no casaco. Era um menino com olhos gigantes. O meu pai, o meu her\u00f3i, tinha salvo aquele menino em \u00c1frica. Conta-me que quando desembarcou viu uma aldeia com todos os habitantes sem vida. O menino estava assustado dentro de uma pipa de madeira. Esse menino, hoje, \u00e9 m\u00e9dico em Coimbra.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>E neste mundo novo os filhos n\u00e3o se despediram dos pais. Como se faz o luto nestas situa\u00e7\u00f5es? Guardam-se as mem\u00f3rias boas, que s\u00e3o atravessadas pela dor do abra\u00e7o que ficou por dar.<\/p>\n\n\n\n<p>Ser\u00e1 que neste mundo novo vamos ter um espa\u00e7o interno para nos apaziguarmos e reinventarmos? Acredito que sim e que, os que ficarmos, vamos ser pessoas mais completas, mais contentoras de afetos, que vamos olhar para a vida com um olhar curioso e carinhoso.<\/p>\n\n\n\n<p>Ontem, a vida fez-me uma oferta de esperan\u00e7a. Tive duas sess\u00f5es de Coaching com duas pessoas da mesma empresa. Ambos t\u00eam posi\u00e7\u00f5es de topo. Come\u00e7aram o processo h\u00e1 3 semanas. Ana sabia que o seu poder estava na sua atitude bomba rel\u00f3gio e na sedu\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o n\u00e3o sabia como falar com ela, nem com os colaboradores. Vivia prisioneiro do medo de falhar na comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Senti que neste mundo novo tamb\u00e9m se ousa sorrir. Estes clientes j\u00e1 conversam, o Jo\u00e3o reconhece o esfor\u00e7o da Ana para falar com calma e ser solid\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/liderancanofeminino.org\/os-afetos-as-lagrimas-e-o-valor-das-memorias-neste-mundo-novo-um-espaco-para-nos-reinventarmos-mais-fortes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong>Artigo em Lideran\u00e7a no Feminino<\/strong><\/a><\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Os afetos, as l\u00e1grimas e o valor das mem\u00f3rias neste mundo novo. Um espa\u00e7o para nos reinventarmos mais fortes? Neste mundo novo, neste puzzle em que as pe\u00e7as n\u00e3o encaixam porque ficaram confinadas a um espa\u00e7o demasiado pequeno, diferentes realidades s\u00e3o vividas com distintos sentires. 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